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Historial da JSD

Os primeiros passos da nossa instituição

Quando falamos sobre o passado da JSD, como resultado para um trabalho de pesquisa, para compararmos situações ou mesmo com o simples objectivo de relembrar um episódio interessante, acabamos sempre por demorar um pouco a nossa apreciação em relação a determinados dados e momentos que para trás ficaram, embora fiquem gravados para sempre na história desta instituição, a JSD.

Para falarmos do passado da JSD, isto é, de todos os momentos e personalidades que para a sua criação e desenvolvimento foram indispensáveis, é quase impossível que não utilizemos o nosso sentido crítico a trabalhar. Daí, os militantes da JSD terem motivos para fazer uso das suas várias posições quando relembram alguns episódios da instituição JSD.

O PSD, na altura PPD nasce a 6 de Maio de 1974 e teve origem na chamada “ala liberal”. Tendo este início na “ala liberal”, então é de boa vontade inferir que a JSD começou nas escolas e nas universidades. De facto, desde cedo se notou a grande força que o PPD tinha junto dos jovens, e este partido tão aclamado na altura não precisava de referir o seu enorme espírito de combate que a juventude tinha que possuir.

Passado simplesmente um dia da formação do PPD, a 7 de Maio, o trio fundador, Sá Carneiro, Francisco Pinto Balsemão e Joaquim Magalhães Mota, preparam um anteprojecto de bases programáticas. Como tal, Barbosa de Melo reage à situação e após intensa discussão ele parte para Coimbra para com Mota Pinto e Figueiredo Dias ultimar novas linhas programáticas. Desta forma, a vertente Social Democrática vence a Social Liberalista.

O nome PPD foi sugerido por Ruben Leitão ao lembrar que muitos partidos de centro e sociais-cristãos, antes da 2ª Guerra Mundial, se chamavam populares. Sá Carneiro, e outros, desejavam que o nome do partido fosse denominado de PSD. A cor laranja foi apelada por Conceição Monteiro como sendo uma cor quente que difere do vermelho, ideologicamente conotado pelo PCP e o PS. Laranja apareceu desta forma, nesse mesmo ano, como sendo a cor da moda internacional.

O símbolo nasce em Julho deste mesmo ano, em que as setas para o PSD representam os valores centrais da Social – Democracia: a LIBERDADE, a IGUALDADE e a SOLIDARIEDADE. As cores simbolizam correntes de pensamento que contribuíram para a síntese ideológica e de acção da social – democracia: o preto, os movimentos libertários, a vermelha, as lutas das classes trabalhadoras, e a branca, a tradição cristã e humanista da Europa.

Logo em 1974, mais propriamente na primeira semana de Junho, com três dezenas de Jovens liderados por António Rebelo De Sousa, surge a ideia de uma estrutura organizada, formada por jovens que se revêem com um espelho do PPD, dispostos ao combate político, que representassem a juventude portuguesa que se revia no Partido. Assim lançava-se à terra a semente de uma instituição semelhante ao PPD, no entanto as suas preocupações eram basicamente viradas para os problemas da juventude trabalhadora e estudantil. As principais metas da recém “onda jovem”, a JSD, eram: divulgar os valores democráticos e os da social-democracia, auxiliar na expansão do Partido, estar ao lado do PPD na consolidação da democracia portuguesa, dotar os jovens dos meios de formação e informação promovendo a sua consciência política, criar condições para o aparecimento de quadros novos e dinâmicos para o Partido. No inicio dos tempos da JSD, a instituição afirmou-se como sendo uma “organização juvenil”, autónoma do PPD, que sempre defendeu e continua a defender a formação de uma sociedade mais justa e democrática em Portugal, proposta a atingir um Socialismo Humanista e que, desde o seu primeiro passo, isto é, desde a sua fundação, optou claramente por uma linha de esquerda, ao serviço das classes trabalhadoras, mais desfavorecidas.

Nesta primeira fase da JSD, foram importantes nomes como Carlos Cruz, Henrique Chaves, António Fontes, António Rebelo de Sousa, Guilherme de Oliveira Martins, entre outros. Talvez fossem os dois últimos referidos os elementos mais “politizados”, com maiores conhecimentos teóricos sobre a política como ciência e como palco partidário.

No entanto, falar de pessoas mais salientes, isto é, mais importantes numa instituição como a JSD, é cometer um grande erro, e é sem dúvida o mais comum em política: a ingratidão. De facto, todas as pessoas que fazem parte de uma instituição como a JSD são importantes, e é o seu todo que permite “construir paredes fortes com objectivos bem reestruturados”. Por outro lado, ao historiar esta instituição é quase impossível não transmitir sentimentos de ingratidão perante determinadas pessoas, ao falar alguns nomes em destaque. De facto, muitos daqueles que se dedicaram, ou ainda se dedicam à JSD de corpo e alma, apenas deram e nada levaram, para além de excelentes e gratas recordações de na JSD terem militado. E alguns militantes nem esta sorte têm, dado que nem todas as instituições tratam bem os seus militantes.

Passados alguns meses do frutuoso e inesquecível Junho de 74, teve lugar em Novembro o I Plenário Nacional da JSD, que se debruçou sobre um futuro Congresso e aprovou Estatutos da estrutura. Estes estatutos rapidamente se mostraram ultrapassados devido ao rápido crescimento que se proporcionou da Jota.

Com a intentona golpista reaccionária de 11 de Março de 75, a JSD revela-se também como uma estrutura que sabe pensar duma forma global o rumo ideológico e político do País. Em comunicado do Secretariado Nacional, a JSD lança as suas ideias para o debate político português: controlo dos sectores chave pelo poder político; consolidar e desenvolver as conquistas sociais até aí atingidas; defesa da adopção imediata, em certos sectores, de modelos de gestão que integrem trabalhadores; denúncia de situações de controlo do poder político e económico por estruturas partidárias; defesa intransigente da realização de eleições livres, como fundamental passo de consolidação democrática; apoio à institucionalização do MFA, nos termos propostos pelo PPD; denúncia das pressões e actuações anarco-populistas que perigam o “processo revolucionário em curso”; esclarecimento das massas estudantis, de modo a evitar a anarquia nas escolas e universidades. O comunicado terminava referindo que a JSD “está perfeitamente consciente de que a democracia e o socialismo em Portugal são impossíveis sem o seu contributo e o do PPD. Qualquer tentativa de marginalizar o PPD da vida política nacional só pode ser desencadeada pelos que estão interessados na construção de uma sociedade que de democrática só poderá ter o nome”.

Daí ao I Congresso Nacional, o passo foi curto e lógico – o decurso do tempo, os problemas práticos levantados pela não funcionalidade dos Estatutos, a vontade/necessidade de criar um documento de carácter teórico que consubstanciasse a leitura que a JSD faz do Programa do Partido deram origem à sua convocação para Lisboa, a 31 de Maio de 75.

A Comissão Organizadora do Congresso (COC), desfez para o Povo Livre um equívoco logo gerado em torno dos futuros trabalhos. Boatos e más interpretações propalavam que o Congresso tinha como objectivo a aprovação de um Programa próprio. Porém, esclareceu a COC, nada disso estaria em debate, apenas e tão só se discutiria e elaboraria um documento onde fossem expressas as linhas principais do Programa do PPD, segundo a leitura da JSD, desenvolvendo os princípios programáticos sem qualquer divergência com eles.

A COC era composta por António Fontes, Guilherme de Oliveira Martins e Francisco Motta Veiga. Participaram nos trabalhos do Congresso cerca de 500 jovens representando os núcleos do Continente, Açores e Madeira.

O Secretário-Geral do PPD, à altura, Emídio Guerreiro, proferiu uma frase que ainda nos soa a todos, e que tão esquecida é por tantos: «Jovens da JSD. Tende sempre o espírito crítico, para vós não deve haver tabus. Dentro do respeito que mereceis vós mesmos deveis criticar impiedosamente tudo quanto existe. Sim. Criticar sem receio de que vos chamem demolidores. Vós sois demolidores do mal, vós sois os construtores do futuro ideal». Emídio Guerreiro disse também que se a juventude era um estado de espírito, então ele era jovem e que, assim sendo, «a JSD tem no PPD um Secretário-Geral». Refira-se que Emídio Guerreiro foi proclamado membro honorário da JSD.

A CPN saída do Congresso era constituída por António Rebelo de Sousa, Guilherme de Oliveira Martins, Pedro Jordão, Paulo Costa, José Hernandez, António Cerejeira, Manuel Álvaro Rodrigues, José Mota Faria, José Carlos Piteira e José Coelho. Rebelo de Sousa representaria a JSD na CPN do Partido. A Comissão Executiva, a Comissão Disciplinar e o Conselho Nacional eram os restantes órgãos nacionais.

Os delegados clamaram pela abolição da sociedade capitalista em prol do socialismo democrática, na esteira da social democracia, com claro repúdio quer por soluções neo-capitalistas quer por soluções de estatização burocratizante. Considerou o I Congresso Nacional da JSD que a sociedade socialista almejada só pode ser alcançada quando se verificar a socialização dos meios de produção e o controle democrático das alavancas do poder político e económico pelas classes trabalhadoras.

Neste texto, não foram descritos todos os passos de uma instituição, a JSD, dado que tal acontecimento era de uma dificuldade quase inatingível. Pois, por de trás de todo o mediatismo da JSD existem “meios passos” que servem de ligação de todo um conjunto de ideias, e se estes não existem, tudo poderia ser destruído. São estes “meios passos” que nos trouxeram para a nossa maior força, passos estes que não se conseguem descrever, pois são sentimentos de união, e como sabemos os sentimentos não se descrevem.

Assim, ficam aqui os primeiros passos de uma instituição que é nossa. Afinal de contas, a história da JSD não passa de uma infinidade de passos, onde transportamos um objectivo que passará ao longo de todos formando assim uma corrida. Corrida esta, que não é mais que a luta de todos os militantes da JSD: A LUTA PELOS NOSSOS IDEAIS.

Por Diana Pedrosa